terça-feira, 3 de abril de 2012

Casa da Tia

Minha Tia Dália e meu tio Santo moravam em um sítio! O sítio era bonito, tinha um lago grande, umas laranjeiras, a casa dos patrões, mais nova, e a casa deles mais velha, porém maior, mais encantadora, mais acolhedora e, descreve-la, é a única forma de faze-los sentir o encanto que ela continha.
No jardinzinho da frente havia uma linda árvore antiga, centenária, mesmo.Tronco imenso, debruçava seus galhos sobre o telhado , sombreando toda a frente da casa.
 Uma alameda de tijolos levava a varandinha pequena da entrada. Dos dois lados da varandinha janelões enormes de dois quartos, sempre abertas, para receber o perfume das flores, e para avistar de longe na estradinha quem viesse vindo à pé, ou de condução . Entrando pela varandinha cheia de vasos, com todos os tipos de flores, havia uma gaiola com um pássaro preto. Ele conversava com minha tia,  ela o chamava de filhinho e ele fazia festa, arrastava a asa, demostrando seu amor por ela, toda vez que ela voltava das idas à cidade. Álias isso me intrigava e  nunca entendi direito o porque de tanta festa, uma vez que ela  mantinha-o preso!  Mas enfim... "Era um pássaro de gaiola, não saberia viver em liberdade", justificava-se minha mãe, acalmando minha insatisfação de criança. E eu me conformava, pois ele parecia mesmo ser muito feliz!
 A sala de visitas, decorada com um conjunto de estofados marrom, as almofadas de crochê coloridas eram feitas de fita. O dono do sítio tinha uma fabrica de fitas, e levava para minha tia crochetar  rolos e rolos de fitas coloridas, descartadas pelo controle de qualidade da fábrica,  que ela aproveitava tecendo de tudo de colchas à almofadas, e a casa era um verdadeiro arco-iris. Eu mesma, tendo aprendido a fazer crochê  com ela, fiz certa vez um enorme tapete colorido de fitas para a sala de minha casa, que de tão lindo provocava admiração e elogios das visitas. Anos depois, fiz uma colcha com restinhos de lã, que de tão colorida lembrava o tapete.E ela existe e resiste ao tempo, eternamente linda como só o croche sabe ser!
 Uma cristaleira, também fazia parte da sala, era linda, e guardava uns  bonitos copos de cristal, que minha tia ganhara de presente de casamento. Mas a cristaleira  guardava outras coisas também, como fotografias de afilhados, bichinhos de porcelana etc...   A sala de jantar enorme com uma mesa bem grande e alguns armários que me tia chamava de "Guarda-comida", (acho que  eram do tempo em que não havia Geladeira...) Mas ela tinha uma, bem antiga e de porta bem pesada e ficava nessa sala. A cozinha era menor, mas ele estava lá, o  majestoso, fumegante,  fogão de lenha.  Sempre aceso. As panelas de ferro, ficavam em prateleiras nas paredes. Outra mesa meio tosca com uns bancos, e só... Mas o gostoso mesmo, eram os quartos... imensos, com acolhedoras camas de casal, cobertas por colchas coloridas de retalhos, E que delícia quando à noite chegava, e ela nos preparava as camonas para dormir com fofos travesseiros de paina, É isso mesmo, P-a-i--na, aquela pluminha das Paineiras. Árvore imensa com flores côr de rosa((ou brancas) e plumas que ajudam a dispersar suas sementes ao vento. Nesses quartos haviam também as penteadeiras. Cheias de bibelos e frascos de perfume: Entre eles o preferido pela minha tia, o "Toque de Amor". Embalagem azul e tampinha branca. Perfume Avon.  Aliás esse perfume que hoje não vejo mais nos catálogos, marcou a minha infância. Minha deliciosa infância em Sapucaí. Todas as velhinhas adoráveis usavam esse perfume!  Minhas tias, minha avó,.suas amigas...  , e lá iam todas perfumadas à caminho da missas, das quermesses, das novenas... E mais que usar o perfume toque de amor, essas mulheres de minha vida sabiam dar um toque de amor à tudo que faziam e foram com certeza muitos especiais prá mim!

Nenhum comentário:

Postar um comentário